Advogada acusada de racismo no Burger King admite crime, faz acordo com MP e pagará R$ 8 mil a funcionário chamado de 'macaco'

  • 03/04/2026
(Foto: Reprodução)
Mulher é presa acusada de racismo contra funcionário de lanchonete em SP A advogada que, em 2024, chegou a ser presa acusada de racismo contra um funcionário de uma lanchonete na Zona Sul de São Paulo firmou, em fevereiro deste ano, um acordo com o Ministério Público (MP) no qual admite o crime. Fabiani Marques Zouki também se comprometeu a pagar R$ 8.105 a Pablo Ramon da Silva Ferreira, então supervisor do Burger King em Moema, como forma de reparação pelas ofensas racistas. Segundo a vítima, ela o chamou de “macaco sujo”. Parte da confusão foi gravada por testemunhas, e as imagens viralizaram nas redes sociais (veja vídeo acima). Pelo acordo, a advogada terá de cumprir uma série de medidas educativas, como participar de cursos e doar livros com temática antirracista a entidades. Ela também teve a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) suspensa por seis meses, já que, na ocasião, dirigia embriagada — conforme apontou laudo pericial. O Acordo de Não Persecução Penal (ANPP), firmado com o Grupo Especial de Combate aos Crimes Raciais e de Intolerância (Gecradi) do MP, foi homologado pela Justiça em 13 de fevereiro deste ano. O instrumento permite evitar que o investigado responda a um processo criminal, desde que cumpra as condições estabelecidas. 'Macaco sujo'. A advogada Fabiani Marques acusada de racismo no Burger King da Zona Sul de São Paulo. Reprodução/Redes sociais O caso ocorreu em 25 de julho de 2024, no drive-thru da lanchonete. Fabiani foi presa em flagrante pela Polícia Militar (PM) por injúria racial e embriaguez ao volante. De acordo com a Polícia Civil, testemunhas relataram que a confusão começou após a motorista reclamar da demora no atendimento. Durante a discussão, a cliente ofendeu Pablo e depois saiu do carro. "Falou que eu chamei de 'preto', de 'macaco'... viajou na maionese. E daí, se eu tivesse chamado? Isso não é justificativa para quebrar meu carro. Não é", diz Fabiani, em vídeo gravado por outra testemunha. No dia seguinte, a Justiça determinou que ela fosse solta. Funcionário Pablo Ferreira acusa a advogada Fabiani Marques de racismo no Burger King da Zona Sul de São Paulo Reprodução/Redes sociais À época, em entrevistas à imprensa, Pablo contou que “já no carro, ela gesticulou novamente e me chamou de 'macaco' e 'macaco sujo'. Aí, eu me revoltei. Eu não ia agredi-la, mas foi aí que eu desferi um soco no retrovisor do carro”. Dias depois, por meio da defesa, Fabiani divulgou nota pedindo desculpas “a quem possa ter sido atingido por qualquer ato ofensivo”. Cursos antirracistas Advogada é presa acusada de racismo em lanchonete da capital Na ocasião, o Burger King informou que repudia qualquer forma de discriminação e que não tolera atitudes racistas, afirmando que prestava apoio aos funcionários envolvidos. Se cumprir todas as medidas, o caso será encerrado sem que ela responda à ação penal ou seja condenada. Entre as obrigações previstas estão a participação em cursos sobre racismo e a gravação de vídeos explicando o conteúdo aprendido, que deverão ser apresentados à Justiça. Ela também terá de integrar um grupo reflexivo com encontros semanais e realizar visitas monitoradas a espaços como o Museu Afro Brasil e o Museu da Imigração, com elaboração de relatórios. Outra exigência é a compra e doação de 87 livros sobre a temática racial à Secretaria Municipal de Direitos Humanos. A lista inclui obras como “Na Minha Pele”, do ator e escritor Lázaro Ramos. Ao todo, ela deverá adquirir e doar exemplares que somam cerca de R$ 8 mil, conforme previsto no acordo. O acordo prevê ainda a prestação de 300 horas de serviços comunitários em atividades relacionadas ao enfrentamento de crimes de ódio. Advogada não pode atuar Pablo Ferreira disse que Fabiani Marques o chamou de 'macaco sujo' Reprodução/Redes sociais Caso descumpra qualquer uma das condições, o acordo pode ser rescindido, e o Ministério Público poderá apresentar denúncia, dando início a uma ação penal por racismo e embriaguez ao volante. "Almejamos que a autora repare a vítima monetariamente e, igualmente, repense sua conduta", disse o promotor Danilo Keiti Goto, em nota enviada ao g1. Pablo e seu advogado não foram localizados pela reportagem para comentar o assunto. A defesa de Fabiani também não foi encontrada. A Ordem dos Advogados do Brasil Seção São Paulo (OAB-SP) informou que Fabiani tem formação em Direito, mas não pode exercer a advocacia atualmente. Segundo a entidade, a inscrição dela está cancelada desde setembro de 2021, a pedido da própria profissional — o motivo não foi informado. A OAB-SP afirmou ainda que apura denúncias contra profissionais inscritos, mas que, neste caso, não cabe investigação disciplinar, já que ela não integra mais os quadros da seccional. Lázaro Ramos lança livro ‘Na minha pele’

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/04/03/advogada-acusada-de-racismo-no-burger-king-admite-crime-faz-acordo-com-mp-e-pagara-r-8-mil-a-funcionario-chamado-de-macaco.ghtml


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