Adolescentes da Fundação Casa têm contato com astronomia em experiência imersiva de planetário itinerante: ‘É muito lindo’

  • 18/07/2026
(Foto: Reprodução)
Adolescentes da Fundação Casa aprendem sobre astronomia em planetário Antes vistos como algo distante da realidade, planetas, estrelas, constelações e galáxias passam a fazer parte do cotidiano de quem visita um planetário. Enquanto cientistas seguem desvendando os mistérios do Universo em pesquisas e missões espaciais, esses espaços aproximam o público da astronomia ao recriar o céu diurno e noturno por meio de projeções e tecnologias imersivas. Com foco em educação e entretenimento, os planetários despertam a curiosidade sobre os fenômenos cósmicos e tornam o conhecimento científico mais acessível. Foi com essa proposta que adolescentes da Fundação Casa de Cerqueira César (SP) participaram de uma sessão itinerante de planetário. 📲 Participe do canal do g1 Itapetininga e Região no WhatsApp A iniciativa levou uma experiência imersiva de astronomia para dentro da unidade, ampliando o acesso ao conhecimento e proporcionando uma nova perspectiva sobre o Universo a jovens que cumprem medida socioeducativa. Pela primeira vez, as jovens, que serão identificadas por nomes fictícios na reportagem, Maria Eduarda de 17 anos e Yasmin, de 14, tiveram acesso à vivência prática somente dentro da instituição. Além delas, outras 25 adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa também participaram. “Eu mesma nunca tinha ouvido nem falar e não sabia da existência. Foi uma experiência única e muito legal. Assim, se eu não estivesse aqui, eu não teria participado dessa atividade. Você vê todas as estrelas e fica sabendo das constelações, é muito lindo. Foi um momento especial”, contou Maria Eduarda ao g1. Jovens da Fundação Casa de Cerqueira César participam de atividade em planetário itinerante Fundação Casa/Reprodução Entre os relatos, elas reforçaram a importância de ter acesso a aprendizados como esses dentro da unidade. O planetário itinerante foi promovido pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). “Gostei bastante, porque nem sabia que existia buraco negro. Não sabia as histórias das estrelas e eu aprendi. Se eu não estivesse aqui, não iria nem saber dessas coisas”, relatou Yasmin. A ação ocorreu no dia 2 deste mês dentro da fundação com outras jovens da unidade Google Maps/Reprodução 🌏 O contato com o planetário De acordo com a Fundação Casa, a atividade apresentou às adolescentes conteúdos sobre os planetas do Sistema Solar, as fases da Lua, as estações do ano e a história do telescópio espacial Hubble, ampliando o contato delas com a astronomia de forma interativa e imersiva. “A iniciativa proporcionou aos jovens o contato com conteúdos científicos de maneira lúdica, aproximando temas da astronomia da rotina pedagógica das unidades”, informaram em nota. Ao saber da atividade, Maria Eduarda conta que ficou desconfiada. Sem conhecer a proposta, imaginou que a explicação seria difícil de entender. Mas a impressão mudou assim que entrou na estrutura do planetário. A experiência despertou o interesse pela astronomia e tornou o aprendizado mais leve e envolvente. “Quando falaram que ia ter um planetário, fiquei: ‘o que é isso?’. Até falei: ‘Nossa, se for chato’. Fiquei perguntando para todo mundo o que era isso, achando que seria uma atividade chata ou uma palestra. Mas eles entregaram tudo”, relembrou a adolescente. Além das projeções e explicações sobre astronomia, a unidade itinerante também proporcionou uma experiência em uma montanha-russa virtual. Para Yasmin, esse foi um dos momentos mais marcantes e divertidos da atividade. LEIA TAMBÉM: Estudante do interior de SP embarca para intercâmbio na Nova Zelândia e leva escultura de artista local: 'Representa a nossa cultura' Professor transforma paixão pela astronomia em clube virtual no interior de SP: 'O laboratório é o céu' VÍDEO: serenata de crianças emociona professor de música internado em hospital no interior de SP Antes de ingressarem na Fundação Casa e participarem da atividade, as adolescentes disseram ter tido pouco contato com conteúdos relacionados à astronomia. O conhecimento delas se limitava a algumas constelações mais conhecidas, como as Três Marias, sem um aprofundamento sobre o tema. “A história por trás e conseguir identificar uma [constelação], não tinha nem interesse. Depois desse dia, eu comecei a achar tudo muito lindo e surgiu o interesse”, apontou Maria Eduarda. Entre os temas que mais despertaram o interesse de Yasmin esteve a forma como é possível identificar mudanças no tempo por meio da observação do céu e dos fenômenos astronômicos. “Acho muito legal e muito inteligente quem sabe sobre, porque não é fácil. Uma senhora falou para a gente que alguns sinais apareciam no céu, podia ser sobre chuva e de calor. Assim, é super impressionante, sabiam identificar tudo. Depois dessa atividade, eu consigo hoje olhar e, pelo menos, identificar o escorpião ou as três marias”, contou. As adolescentes aprenderam sobre planetas, estrelas, constelações, buraco negro e até estações do ano Arquivo pessoal/Jaqueline Campos Durante a atividade, os profissionais também apresentaram informações sobre a formação, as características, a temperatura e as particularidades de cada planeta do Sistema Solar. Após as explicações, Júpiter e Marte foram os astros que mais chamaram a atenção das adolescentes. A experiência também abriu espaço para perguntas, e Yasmin aproveitou para tirar uma curiosidade que sempre teve: a possibilidade da existência de vida extraterrestre. “Eu perguntei para um senhor que estava lá dando explicação se era verdade que existia ET. Falei: ‘será que dá para vir até a Terra os Ets?’. Ele falou que ainda não é comprovado que existem. Eu acho que existe”, disse. 💫 Visão de futuro Além das atividades de astronomia, as adolescentes seguem a rotina de estudos na Fundação Casa. Para elas, experiências como essa ampliam os horizontes e ajudam a enxergar novas possibilidades para o futuro fora da unidade. Próxima de completar 18 anos, Maria Eduarda, que está há seis meses na Fundação Casa, diz que a vivência reforçou o desejo de continuar os estudos. A jovem pretende ingressar em uma faculdade assim que concluir o Ensino Médio. “Trouxeram isso para abrir a nossa mente e vermos que tem outras portas, que não é o que vivíamos. Colocar isso na nossa cabeça e deixar a gente pensando sobre. Espero que, no meu futuro, eu consiga ser independente, ter uma fonte de renda e arrumar um trabalho para viver a minha vida”, disse. Há três meses na Fundação Casa, Yasmin afirma que, quando deixar a unidade, pretende continuar aprendendo sobre astronomia. Ela também quer compartilhar com a irmã tudo o que descobriu sobre os planetas e os demais temas abordados durante a atividade. “Eu achei muito interessante e gostei bastante. É como ela [Maria Eduarda] falou: é uma oportunidade para abrir portas e fazer a gente refletir sobre o que fizemos”, relatou. "Não quero depender de ninguém, mas principalmente, não quero voltar mais pra cá”, completou. As duas adolescentes afirmam que valorizam as oportunidades de aprendizado oferecidas pela Fundação Casa, mas destacam que nenhuma experiência substitui a liberdade. Para elas, o maior desejo é poder colocar em prática, fora da unidade, tudo o que vêm aprendendo. “Se estamos aqui, é porque precisamos enfrentar os nossos erros e abrir essas novas portas. Aqui, a gente está para mostrar que existem outras chances e oportunidades, que a vida não é só o que estávamos vivendo lá fora”, concluíram as meninas. 🌌 Projeto educacional A oportunidade fez com que os jovens se aproximassem da ciência e astronomia Arquivo pessoal/Jaqueline Campos Uma das responsáveis por aproximar as adolescentes do Universo é Jaqueline Campos, de 38 anos, pedagoga e mestre em Ciências pela Universidade de São Paulo (USP). Ela também atua como planetarista, conduzindo sessões que transformam conteúdos de astronomia em experiências imersivas e acessíveis ao público. “É uma profissão na qual a formação acontece dentro do próprio planetário, você não encontra cursos, você não tem formação de planetarista no Brasil. Então, é uma profissão que você adquire dentro dos próprios espaços”, explicou à reportagem. Jaqueline apontou que o projeto do planetário promovido pela Unesp foi possível por meio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). “Nós pensamos justamente sobre o acesso. Quais são as oportunidades de acesso desses jovens a um recurso como um planetário? Muitos não conhecem, elas não são as únicas que não sabem o que é um planetário”, citou. Essa não foi a primeira vez que a unidade itinerante levou a astronomia para dentro de unidades da Fundação Casa. No ano passado, a iniciativa passou por Araras e Botucatu. Ao g1, a pedagoga destacou que, muitas vezes, nas escolas públicas, a astronomia é trabalhada apenas como parte do conteúdo curricular, sem um aprofundamento maior sobre o tema. Segundo ela, experiências imersivas ajudam a despertar o interesse dos estudantes e ampliar o acesso ao conhecimento científico. “No dia que nós estivemos na fundação, nós chegamos a conversar com alguns alunos, tanto no feminino quanto no masculino, que não é todo mundo que tem acesso à astronomia, e muitas vezes não tem acesso nem dentro das escolas”, disse. Para ela, perceber que os jovens passaram a olhar para o céu com uma nova perspectiva após a experiência no planetário representa a conquista de um dos principais objetivos do projeto. Quando iniciou a iniciativa educacional, a pedagoga conta que não imaginava que a ação chegaria até a Fundação Casa. “Claro que a astronomia como ciência não é fácil, nós temos consciência disso. As pesquisas não são simples, e o seu objeto está sempre distante. Mas isso não me impede de olhar para o céu. Eu não preciso ter um telescópio para olhar no céu e compreender algo sobre ele”, apontou Jaqueline. O planetário é um projeto com objetivo educacional e de entretenimento, simula o céu noturno e diurno Arquivo pessoal/Jaqueline Campos A participação e o interesse dos jovens por temas relacionados à ciência surpreenderam a pedagoga. Segundo ela, o envolvimento demonstrado durante a atividade, muitas vezes, supera até mesmo o observado em escolas. “O engajamento que eles geram, muitas vezes dentro de escolas, não acontece. O prazer de ir até a Fundação e atender esses jovens é imenso. Eles precisam perceber que existem outras realidades e oportunidades diferentes das que eles enfrentaram até ali”, compartilhou. Para Jaqueline, a astronomia tem um papel importante ao despertar a curiosidade e abrir caminhos para novos conhecimentos: "A astronomia gera um encantamento, e muitas vezes, ela é o ponto de partida para o engajamento na ciência. Porque assim, muitos alunos, não serão cientistas, mas a astronomia pode ampliar esse pensamento deles para novas possibilidades." 🌠 A importância dos planetários Conforme o professor de física Rodrigo Raffa, de Itapetininga, o primeiro planetário moderno foi criado na Alemanha, em 1923, considerado revolucionário para a a época. “O planetário é um espaço de divulgação científica onde se projeta uma réplica do céu noturno em uma cúpula ou tela hemisférica. Os elementos principais são a cúpula, o projetor, o sistema de som e o software de controle que simula movimentos do céu em qualquer data, hora ou latitude”, explicou. Dessa forma, o planetário consegue recriar a sensação de estar sob um céu estrelado, permitindo aos visitantes observar o movimento dos planetas de forma acelerada, acompanhar fenômenos como eclipses e até embarcar em uma viagem virtual por outras galáxias. “Ele funciona como um laboratório de astronomia sem precisar de céu limpo, sem depender do horário e sem limitação geográfica, tornando uma ferramenta importante para ensino de ciências. Sendo a primeira faísca que leva alguém a estudar física ou astronomia depois”, apontou Raffa. As jovens se interessaram por planetas e aproveitaram o espaço para tirar dúvidas sobre assuntos celestes Arquivo pessoal/Jaqueline Campos O professor avalia que o planetário é uma das ferramentas mais eficazes para a popularização da ciência, pois transforma conceitos abstratos em experiências visuais e interativas, facilitando a compreensão de quem participa. “É uma ponte entre a teoria da sala de aula e a vivência prática do céu. Ver alunos e famílias tendo esse primeiro contato com o céu de forma imersiva é exatamente o tipo de democratização do conhecimento que motiva um trabalho de divulgação científica”, concluiu. Lua fotografada por integrante do Clube Centauri de Itapetininga Reprodução/Rodrigo Raffa *Colaborou sob a supervisão de Larissa Pandori Initial plugin text Veja mais notícias no g1 Itapetininga e Região VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

FONTE: https://g1.globo.com/sp/itapetininga-regiao/noticia/2026/07/18/adolescentes-da-fundacao-casa-tem-contato-com-astronomia-em-experiencia-imersiva-de-planetario-itinerante-e-muito-lindo.ghtml


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