Acusado de atropelar mãe e filha de 9 anos ao dirigir embriagado e sem habilitação vai a júri popular
21/01/2026
(Foto: Reprodução) Câmera flagra atropelamento de mãe e filha por motorista embriagado em Cosmópolis
A Justiça de Cosmópolis (SP) decidiu que vai a júri popular o motorista acusado de atropelar e deixar em estado grave uma mulher de 33 anos e sua filha, de 9 anos, quando dirigia embriagado e sem habilitação.
O acidente aconteceu em 29 de maio de 2025 e foi flagrado por câmeras de segurança (assista ao vídeo acima). Hélio José Padela fugiu do local, mas foi preso em sua casa.
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O caso ocorreu por volta das 19h30, na Avenida da Saudade. Segundo a denúncia, Hélio dirigia um carro modelo Renault Clio branco e tinha concentração de álcool por litro de sangue igual ou superior a 6 decigramas, conforme laudo de exame.
A acusação também diz que ele estava em alta velocidade, atingiu a traseira de uma moto modelo Honda Biz onde estavam as vítimas, não freou e ainda atropelou a garota de 9 anos quando ela já estava caída no asfalto.
“Eu vi o acidente. E aí cheguei, vi minha irmã lá e minha sobrinha. Foi revoltante depois que eu fiquei sabendo que ele tinha saído, fugido”, afirmou a operadora de logística Mikaelli Lino, irmã da motociclista e tia da criança, na época do acidente.
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Câmera de segurança flagra momento em que mãe e filha foram atropeladas por motorista embriagado em Cosmópolis
Reprodução/EPTV
Sinais de embriaguez e falta de CNH
Após o acidente, a Guarda Municipal conseguiu o endereço do motorista e foi até sua casa. Os agentes informaram que, no local, ele estava armado com uma faca, apresentava sinais claros de embriaguez, como forte odor etílico e fala pastosa, e também confessou que tinha ingerido bebida alcoólica antes do acidente.
Além disso, os GCMs constataram que Hélio não possuía Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e que, dentro de sua casa, foram encontrados microtubos vazios que indicavam o consumo de entorpecentes.
Relataram ainda que, no hospital, a mãe afirmou que o réu avançou o sinal vermelho e passou com o carro sobre a barriga da criança.
A mãe sofreu fraturas no punho, na coluna e na região axilar, permanecendo internada por 12 dias e necessitando de fisioterapia. Já sua filha sofreu traumatismo craniano e fraturas no braço e no pé, precisando ser transferida para o Hospital de Clínicas da Unicamp para tratamento intensivo.
"O réu, apesar de não habilitado para conduzir veículo automotor, dirigiu após ingerir bebida alcoólica e consumir cocaína, vindo a colidir com moto parada para realizar a conversão, de modo que existem elementos suficientes a indicar o dolo eventual e não mera culpa, o que atrai a competência do Júri", justificou o juiz Luis Fernando Grando Pismel, da 1ª Vara Judicial de Cosmópolis.
Hélio será julgado por duas tentativas de homicídio qualificado, com uso de meio que resulta em perigo comum e recurso que dificultou a defesa das vítimas, além de embriaguez ao volante e fuga de local de acidente.
Carro do motorista que atropelou mãe e filha em Cosmópolis ficou danificado após acidente
Guarda Civil Municipal de Cosmópolis
Réu admite consumo de cerveja e cocaína
O g1 não conseguiu contato com o advogado do réu. Em interrogatório, ele afirmou que consumiu quatro latas de cerveja e cocaína no dia dos fatos, após oito anos de sobriedade, em razão de crises pessoais causadas por uma separação conjugal.
Também disse que dirigia sem habilitação por possuir impedimento médico e que trafegava a 40 quilômetros por hora (km/h) quando a moto à sua frente realizou uma manobra à esquerda sem dar seta, impossibilitando a parada do veículo a tempo de evitar a batida.
Ainda alegou que não teve a intenção de causar o acidente e que não visualizou o atropelamento da garota, fugindo do local apenas por medo de agressões de motoboys que o cercaram e apedrejaram o seu carro.
Na ação, a defesa pediu absolvição por ausência de culpa. Apontou culpa exclusiva da vítima, contradições em depoimentos e falta de provas.
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